Comunidade de ativação criativa e experimental do antigo bairro ferroviário da aldeia de Casa Branca, Montemor-o-Novo.


















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Casa Branca, aldeia estação



Casa Branca é uma pequena aldeia situada na freguesia de Santiago do Escoural, concelho de Montemor-o-Novo, cuja origem está associada à estação ferroviária, na bifurcação entre as atuais linhas de Évora e de Beja.



Povoação estereótipo da desertificação e do envelhecimento do Alentejo, Casa Branca viveu o seu apogeu populacional na era do comboio a vapor. Conta actualmente apenas com cerca de 100 habitantes, na sua maioria idosos reformados da ferrovia, e com grande parte da malha urbana ocupada por edificado devoluto, nomeadamente o antigo bairro ferroviário, propriedade do Estado Português.



Casa Branca surgiu em 1863 com a inauguração da Estação Ferroviária e com o início da circulação na linha férrea entre Vendas Novas e Évora. Seguiu-se a circulação entre Casa Branca e Beja. Viveu o seu apogeu populacional no final do séc. XIX e até ao fim do primeiro quartel do século XX. Foi um importante centro de abastecimento de água para as locomotivas a vapor, entroncamento de vagões que vinham do Sul e do Sueste com cereais, gado, hortícolas, cortiça, etc. e ponto de escoamento da produção do complexo mineiro da Serra do Monfurado.


O período de 1898 a 1907 foi o de maior incremento no edificado do recinto ferroviário: habitações de pessoal, poços e depósito de água, cais coberto, estabelecimentos de instrução primária e de formação profissional, armazéns e oficinas de manutenção. Em 1936, deu-se início ao loteamento fora daquele recinto, para construção de habitações privadas que albergassem trabalhadores agrícolas de herdades próximas, na área que hoje corresponde à R. Catarina Eufémia e à R. 25 de Abril.



A desativação das minas de ferro (1929), o surgimento das automotoras a diesel (1948), o forte êxodo rural (anos 50), a diminuição da atividade agrícola, o maior investimento na rede rodoviária e o declínio do caminho-de-ferro, com a modernização das operações e o sucessivo encerramento de linhas e estações da região (anos 80 e 90) foram fatores que contribuíram para a menor dependência das valências do edificado ferroviário e, em consequência, dos profissionais que aqui trabalhavam, bem como para o abandono da própria localidade e para o decréscimo e envelhecimento da sua população.

Nos anos 90, a aldeia de Casa Branca viu encerrar as últimas oficinas de manutenção de material ferroviário circulante. No início deste século, fechou a única escola primária da aldeia.

As obras de modernização e eletrificação da linha ferroviária, em 2010, obrigaram a alterações no acesso rodoviário à aldeia, isolando edifícios e propriedades do aglomerado principal, destruindo parte da rede de fornecimento de água dentro do recinto ferroviário e deixando ao abandono restos de pavimento e barreiras de segurança da antiga estrada.





Com o serviço Intercidades ainda em funcionamento, Casa Branca está a uma hora e quinze minutos (e cinco frequências) de distância de Lisboa, a uma hora (e seis frequências) de Beja e a dez minutos (e oito frequências) de Évora.
A aldeia é também atravessada pela Estrada Nacional 2.